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quinta-feira, 22 de março de 2012

VIDA

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Porque perder tempo com romances se a vida tem mais imaginação do que a mais criativa das ficções? Questão retórica, claro. É que a literatura carrega em si própria o peso da realidade – é uma espécie de flash interview existencial que nos permite, os que escrevem e os que lêem, fazer a digestão de si próprios e prosseguir. A única desvantagem dos romances é a inevitabilidade de serem em segunda mão; a vida tem sempre a primeira palavra, é ela que molda o que se escreve e como se escreve. Luís Osório

sexta-feira, 25 de março de 2011

... vaidade e o interesse

"Deixo aqui um excerto da carta “Bom senso e bom gosto” de Antero de Quental. Um registo que marcou uma época de revolução ideológica no tecido social português dos finais do século XIX."


CARTA
AO EXCELENTISSIMO SENHOR
ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO
POR
Anthero do Quental
(...)
“A este primeiro motivo, que é um direito, uma faculdade só, accresce um outro, e mais grave e mais obrigatorio, porque é um dever, uma necessidade moral. É esta força desconhecida que nos leva muitas vezes, ainda contra a vontade, ainda contra o gosto, ainda contra o interesse, a erguer a voz pelo que julgamos a verdade, a erguer a mão pelo que acreditamos a justiça. É ella que me manda fallar. Não que a justiça e a verdade se offendessem com v. ex.ª ou com as suas apreciações. Verdade e justiça estão tão altas, que não têm olhos com que vejam as pequenas cousas e os pequenos homens das infimas questiunculas litterarias d'um ignorado canto de terra, a que ainda se chama Portugal. Não é isso o que as offende. Mas as idéas que estão por de trás dos homens; o mal profundo que as cousas apenas miseraveis representam; uma grande doença moral accusada por uma pequenez intellectual; as desgraças, tanto para reflexões lamentosas, d'esta terra, reveladas pelas miserias, tão merecedoras de despreso, dos que cuidam dominal-a; (…) No peito dos outros, dos que andam de capella em capella na lida afanosa de incensar cada dia todos os idolos, dos que fazem da gloria uma bastilha para aventureiros levarem de assalto, e não pulpito aonde se suba com respeito e amor, no peito d'esses não habita mais do que ambição, vaidade, endurecimento e miseria. Esses lisongeiam os grandes; e os grandes dão-lhes a mão para que subam, e desprezam-nos depois. Lisongeiam as maiorias; e as maiorias inconstantes lançam-lhes no regaço um pouco de ouro e algum applauso de momento, e depois passam e esquecem. Afagam todas as vaidades; e têm em cada vicio humano um capital, cujo juro dissipam em quanto vivos, porque essa moeda corrompida para mais ninguem serve. Emfim, nos quinze ou vinte annos em que dão que falar ás gazetas, aos botequins, aos gremios, a todos os vadios, a todos os futeis, folgam, vivem alegres e esquecidos de tudo quanto não seja a satisfação do que ha no homem de mais pequeno—a vaidade e o interesse.(…)

Anthero do Quental


Coimbra 2 de Novembro de 1865




IMPRENSA DA UNIVERSIDADE
1865




http://www.gutenberg.org/files/30070/30070-h/30070-h.htm


lido em
http://voxnostra.blogspot.com/

terça-feira, 1 de março de 2011

Ciclo da Vida

Por que se afirma tanto que os jovens de hoje não têm presciência?
Quem os educou? Que universidades os formaram?






http://www.youtube.com/watch?v=ip1RKCdE4Pk&feature=related

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Momentos

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Don't confuse the untried with the impossible.
Não confunda o inexperiente com o impossível.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Turbulências



"Revejo, num segundo, séculos de turbulência enquanto inspiro a serenidade da paz aparente instalada em mim. O Universo observa. Conspira. Trabalha a meu favor, mostra-me o bronze das moedas de troca. Fecham-se as histórias do passado em contos que serão redigidos mais tarde. Não vivemos felizes para sempre mas podemos, pelo menos, tentar.

Os meus sentidos perfuram o frágil tecido da realidade em busca de uma presença conhecida. Penso no que foi, no que é, no que está para vir. Deixei de ter medo do desconhecido.

Marcam-se na areia molhada pequenos trilhos percorridos a dois, o vento frio fustiga as faces desprotegidas de almas que também são corpos. Do nada, criam-se histórias tão possíveis como o estarmos ali. Ao longe, pequenas figuras percorrem caminhos antigos, encostados às pedras que também são história, um pescador venera o mar com a certeza de existirem forças que não foram criadas para serem contidas.

O toque das nossas mãos assegura-nos que existimos, o sonho só é sonho se os olhos estiverem fechados.

Os dias sucedem-se. São assim porque são, porque assim foram ensinados, sem questões ou reticências. Uma luz brilha, envergonhada, entre as fendas das feridas da terra sedenta de água, sem ter certeza se será suficiente para iluminar trevas antigas, instaladas nos corações de almas que, algures no tempo, quiseram acreditar. Deixámos de estar, apenas. Avançamos, sem medos, e juntamos as peças de um puzzle que se transforma em paisagens, trabalhadas por mãos sedentas do calor do luar que atravessa a copa de árvores vigilantes.

Abandonam a carcaça, colada ao asfalto pela borracha quente, e voam sem olhar para trás, mantos de penas negras que conhecem os segredos de quem carrega consigo o peso dos infortúnios dos outros. Repetimos vezes sem conta a mesma lengalenga, como um disco riscado por agulhas prateadas que cortam as palavras dos poetas defuntos. Os dias sucedem-se e o amanhã é sempre o amanhã. Apenas porque sim, porque não sabe ser de outra forma"


Lido aqui:
http://efeitosespeciaisv2.wordpress.com/